domingo, 31 de março de 2019

Barco naufragado em Ingleses no século 17 era pirata, dizem pesquisadores

Detalhes do navio pirata no Museu do Naufrágio, em Ingleses – Flavio Tin/ND. ANDRÉA DA LUZ, FLORIANÓPOLIS

Embarcação espanhola tomada no Peru por ingleses revela um tesouro arqueológico e ajuda a desvendar a história da Ilha

O barco naufragado no século 17 na praia de Ingleses, no Norte da Ilha de Santa Catarina, era pirata, segundo pesquisadores da ONG PAS (Projeto de Arqueologia Subaquática). A descoberta aconteceu em 2011, mas só agora foi revelada pela organização.

Segundo o historiador Amílcar D’Avila de Mello, a embarcação espanhola, chamada Nuestra Señora de Aránzazu, teria sido roubada no Peru e trazia uma tripulação de oito piratas ingleses, liderados por Thomas Frins. O barco integrava uma frota pirata composta por 900 homens, ingleses e franceses, que teriam saqueado colônias espanholas no Pacífico de 1684 a 1687.

Depois de se perder da frota e ser perseguido pelos espanhóis, Frins teria tentado voltar à Inglaterra pelo Atlântico, mas quando chegou a uma praia do Norte da então Vila de Nossa Senhora do Desterro, na Ilha de Santa Catarina, foi capturado pelo fundador da vila, o ex-bandeirante Francisco Dias Velho, que o prendeu e o mandou para Santos, no litoral paulista. Um ano depois da prisão, Frins voltou a Desterro e matou Dias Velho, no local onde hoje fica a Catedral Metropolitana, no Centro de Florianópolis.

O barco ficou abandonado em frente à praia e ficou se deteriorando até que afundou. O naufrágio está registrado nos livros de história como ocorrido na praia de Canasvieiras, mas supõe-se que toda a região, incluindo a de Ingleses, era chamada assim.

Daniel Rian mostra botijas e partes delas, encontradas no fundo do mar, em Ingleses – Flavio Tin/ND

O episódio não só marca a história da Capital como evidencia a importância histórica dessa descoberta, que ocorreu quase por acaso, quando o pescador submarino Alexandre Viana encontrou uma botija antiga na parte rasa do mar, em Ingleses, em 1989, 320 anos após o ocorrido.

Com a descoberta de vários outros objetos naquela área, Alexandre se associou a dois outros mergulhadores – Narbal Corrêa e Marcelo Lebarbechon Moura, fundando o PAS para investigar a origem das peças. A pesquisa começou em 2004, com R$ 2,4 milhões em investimentos feios pela Fapesc (Fundação de Apoio á Pesquisa Científica e Tecnológica no Estado de Santa Catarina).

No entanto, desde 2010, os trabalhos de escavação foram interrompidos por falta de verba. O museu, que é aberto ao público e funciona todas as tardes de terça a domingo (com exceção do último domingo do mês), é mantido pelo Costão do Santinho Resort, que cede o espaço de 40 metros quadrados e materiais para conservação do que já foi resgatado.

Conforme o presidente do PAS, Narbal Corrêa, a ideia é fazer um novo projeto para captação de verba por meio de leis de incentivo à cultura e retomar os trabalhos. “Vamos nos reunir daqui a 15 dias para discutir isso. Queremos continuar as escavações, equipar o laboratório e construir um espaço adequado para o museu, além de tirar o leme da água doce e conservá-lo em polietileno glicol para garantir sua conservação adequada”, explica Corrêa.

Segundo Daniel Rian, que é funcionário do resort e cuida do Museu do Naufrágio na sede do PAS, em Ingleses, até agora foram escavados apenas 30% do sítio arqueológico marinho, resgatando cerca de 35 mil artefatos, que incluem o leme da embarcação – peça de carvalho vermelho de quase uma tonelada que fica imersa na água em frente ao museu, quase 300 gargalos de botijas usadas para transportar mantimentos, balas de revólver e de canhão, lastros móveis e fixos, solas de sapatos, vestimentas, relógios de sol, fragmentos de ossos, pentes de madeira e o sino de bronze do barco, entre tantos outros itens.

Leme e parte da quilha da embarcação pirata encontrada nos Ingleses – Flavio Tin/ND

“Precisamos de verba para escavar o restante, para fazer o tratamento das peças, ter um lugar climatizado para conservá-las e para receber o público”, diz Daniel, em meio a imensidão de peças catalogadas sobre o balcão, nas prateleiras e caixas que preenchem quase todo o espaço do museu. O local recebe visitas o ano inteiro, de turistas, moradores e estudantes locais. “Foram recebidas quase 3,5 mil pessoas o ano passado e, nestes 14 anos, mais de 27 mil passaram por aqui”, revela, orgulhoso.

Além de receber o público e contar os detalhes dessa história, Daniel também é responsável pelo tratamento das peças. Apenas o leme demanda troca de água a cada 15 dias, e Daniel ainda faz a catalogação e armazenagem dos fragmentos encontrados, a dessalinização e secagem das peças.

Cada um dos milhares de objetos revelam partes do quebra-cabeças e ajudam os pesquisadores a decifrar o que ocorreu há mais de 300 anos. Segundo Narbal Corrêa, essa é uma das maiores escavações subaquáticas do mundo. “Quando começamos, achei que ia abrir um baú e ficar rico. Mas quando começamos a encontrar as peças, as solas de sapatos, tantos artefatos que revelam parte da nossa história, percebi que aquele era o verdadeiro tesouro”, afirma o presidente do PAS.

Serviço
O que: Museu do Naufrágio
Quando: de terça a domingo, das 14h às 20h (exceto último domingo do mês)
Onde: no canto direito da praia de Ingleses
Quanto: gratuito

Fonte: https://ndonline.com.br/noticias/barco-naufragado-em-ingleses-no-seculo-17-era-pirata-dizem-pesquisadores/ (30/03/2019)

domingo, 13 de janeiro de 2019

Navio pirata naufragado revela tesouros e armas do século 17

Canhões do navio Schiedam (Foto: David Gibbins/Cornwall Maritime Archaeology)

A embarcação holandesa Schiedam foi encontrada na costa do Reino Unido.

Após uma série de tempestades, parte da carga do navio holandês Schiedam foi revelada na costa da Cornualha, no Reino Unido. A embarcação afundou em 1684 e foi localizada em 1971 por mergulhadores, a uma profundidade de quatro a sete metros. Mas apenas agora os pesquisadores têm acesso detalhado aos itens do navio.

Entre os objetos estão um par de granadas de mão do século 17, enferrujadas, desgastadas e com um pouco de mármore decorativo. Explorações anteriores mostraram que o navio tinha um arsenal de armas, como canhões de ferro e rodas de carruagem.

Um dos canhões do navio Schiedam (Foto: David Gibbins/Cornwall Maritime Archaeology)

Durante as tempestades, pesquisadores aproveitaram para registrar imagens de fotogrametria 3D dos destroços, mostrando mais detalhes do náufrago.

Segundo especialistas, Schiedam começou a ser usado nas Índias Orientais, em 1600. Mais tarde, foi capturado por piratas, enquanto levava uma carga do norte da Espanha. O navio foi recapturado por uma equipe inglesa e levada para Cádis, onde os itens foram vendidos.

Destroço marítimo de pedra e madeira do navio Schiedam (Foto: David Gibbins/Cornwall Maritime Archaeology)

Antes de afundar, Schiedam fazia o transporte de munição da Marinha Real Britânica para uma colônia no norte da África. O naufrágio aconteceu em 4 de abril de 1684, durante uma forte tempestade. Acredita-se que moradores saquearam a maior parte dos destroços.

"O Schiedam é um naufrágio fascinante porque estava carregando mercadorias da colônia inglesa de Tânger [Marrocos], que havia sido abandonada aos mouros", disse David Gibbons, da Cornwall Maritime Archaeology, entidade de arqueologia marítima.

"Representa um momento crucial na história porque o fracasso de Tânger levou os ingleses a procurarem Bombaim. Se os ingleses tivessem conseguido abrir um enclave comercial no norte da África e focar seus interesses no Mediterrâneo, em vez de na Índia, o mundo teria sido um lugar muito diferente hoje".

Fonte: https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Arqueologia/noticia/2019/01/navio-pirata-naufragado-revela-tesouros-e-armas-do-seculo-17.html (04/01/2019)