terça-feira, 17 de abril de 2012

Empresa fundada por português combate pirataria em alto mar


As rotas internacionais ameaçadas pela pirataria são bem conhecidas por António Beirão, um português residente em Inglaterra, que criou no ano passado uma empresa de segurança marítima privada, negócio onde os riscos são vividos em alto mar.

Com quase uma década de experiência no circuito internacional de segurança, António Beirão, de 43 anos, criou em outubro passado a SPG & MSC (Special Projects Group & Maritime Security Consultancy), empresa vocacionada para a proteção de embarcações que naveguem em águas perigosas, nomeadamente na Somália, região que registou mais de metade dos ataques de pirataria ocorridos em 2011.

Criada em Inglaterra, onde o empresário reside há oito anos, e com uma base de operações na União das Comores, a empresa é composta por ex-elementos de forças militares e policiais portuguesas e britânicas.

“Neste momento, só trabalhamos com 'rangers' (forças especiais), ex-paraquedistas, dois ou três ex-fuzileiros (...). Temos depois alguns elementos da polícia para outro tipo de contratos, mas a espinha dorsal da empresa são estes elementos”, afirmou António Beirão, numa entrevista à Lusa.

Elementos que, segundo o responsável, têm a formação necessária para integrar equipas armadas e enfrentar situações de risco.

“Como fazemos serviços com armas, e com diversos tipos de armamento, todas as pessoas que contratamos têm de ter perfil, têm de ser pessoas que já operaram em zonas perigosas. Temos alguns elementos que estiveram no Iraque, no Afeganistão (...). Já estiveram debaixo de fogo e dão-nos algumas garantias de comportamentos”, frisou.

A equipa atual da empresa é composta em 75 por cento por operacionais portugueses, incluindo três diretores. Os restantes elementos são britânicos.

Todas as operações são estudadas ao pormenor, tendo em consideração o tipo de navio, a área do destino e as condicionantes do percurso.

O armador pode requerer uma embarcação para fazer o acompanhamento de todo o trajeto ou solicitar a presença de uma equipa armada a bordo.

Neste último caso, frisou o responsável, a equipa embarca antes de entrar na zona perigosa e só depois entram a bordo as armas, sempre controladas pelas autoridades locais.

“A partir daí a viagem é feita, 24 horas de serviço na ponte do navio. Há casos em que os operacionais podem patrulhar o navio, mas normalmente é sempre na ponte de comando do navio, controlar o radar, ver as embarcações que se aproximam ou então nas alas do navio, a bombordo e a estibordo”, explicou.

Sobre os valores monetários envolvidos nestas operações, António Beirão admitiu apenas que são significativos.

A presença de elementos civis armados dentro de embarcações comerciais é uma das questões delicadas deste negócio.

“Há cerca de três, quatro anos, nem todos os países davam permissão para ter equipas armadas a bordo e hoje em dia ainda existe este fator. (…) Há situações em que transportamos armas automáticas, armas de guerra, e temos outras situações em que os próprios barcos não permitem este tipo de armas a bordo e temos sempre de cumprir as leis do navio e as leis dos países onde vamos embarcar ou desembarcar”, salientou.
Quando questionado sobre a eficácia das equipas armadas, o responsável não mostrou dúvidas e garantiu que “não há hipótese de combater armas com mangueiras de água” em alto mar.

“Se um navio não tiver homens armados pode fazer algumas manobras de diversão, tentar dificultar ao máximo o acesso dos piratas a bordo (...), mas se os piratas estiverem bem organizados, se o navio for atacado por três ou quatro embarcações, passada meia-hora, um quarto de hora ou 40 minutos, conseguem tomar o navio”, afirmou António Beirão, relatando que as tripulações sentem-se mais tranquilas com a presença destas equipas.

“Quando chegamos a um navio vê-se perfeitamente a cara de alívio das tripulações. Sentem-se seguros ao fazer o percurso, têm uma equipa de quatro homens armados, que estão preparados e que têm formação, e em caso de haver contacto com piratas existe um código de conduta muito severo e restrito de atuação. Não somos militares, somos todos civis, temos um papel a desempenhar e estamos ali para fazer proteção do navio e da tripulação”, concluiu.

Lusa / SOL

Fonte: http://sol.sapo.pt/inicio/Economia/Interior.aspx?content_id=45560 (31/03/2012)

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