sábado, 7 de fevereiro de 2015

Sueco é alvo de piratas em Cubatão

Foto: Vítimas estavam em barco de alumínio

Por Eduardo Velozo Fuccia

A expedição que um sueco realizava na Bacia Hidrográfica de Cubatão para fotografar e filmar aves, em especial o guará vermelho, foi interrompida pela ação de quatro piratas, que transformaram o passeio ecológico em momentos de pânico.

Em um barco de pequeno porte e com motor de popa de 15 HP, os criminosos portavam armas de fogo e se aproximaram da embarcação na qual estava o estrangeiro e um piloto por ele contratado.

As vítimas estavam perto da margem do Rio Cascalho e foram obrigadas a pular na água. Além da embarcação ocupada pelo sueco e pelo piloto, um biólogo de 45 anos morador em Santos, os ladrões roubaram todos os pertences deles. No mesmo rio, em dezembro de 2012, um turista paulistano de 78 anos morreu afogado após piratas mandarem ele pular na água para roubar o barco. O latrocínio permanece sem esclarecimento.

Como foi
O empresário Lennart Henriksson, de 66 anos, mora na cidade sueca de Hyssna e se interessa por ecologia. As imagens que ele registrava no Rio Cascalho seriam exibidas em seu país e também poderiam atrair para a região não só outros ecologistas da Suécia como de outras partes da Europa.

Para o seu documentário, Lennart alugou um barco em uma garagem náutica localizada na Ilha Caraguatá, em Cubatão, e contratou o biológo para atuar como piloto. Os dois saíram da marina por volta 6 horas de terça-feira, com previsão de retorno às 10 horas.

Na metade da expedição, porém, as vítimas foram rendidas pelos piratas. Por sorte, o barco que elas ocupavam estava perto da margem, em local raso. A embarcação roubada é de alumínio, mede 6,9 metros e possui motor de popa Yamaha de 90 HP e quatro tempos.

O biólogo teve levados binóculos, câmera Nikon D-4, lente 70x200 mm e celular. O sueco ficou sem duas câmeras digitais (Nikon AW 1200 e Panasonic Lumix), minigravador Olympus, relógio italiano Lambretta, celular, outros objetos e R$ 650,00.

Vítimas foram resgatadas em mangue
O local onde aconteceu o ataque dos piratas fica isolado. A pé e na beira do rio, em uma área de mangue, o sueco e o biólogo que pilotava a embarcação não tinham como retornar à garagem náutica ou sequer pedir socorro.

Com menos idade, melhor condição física e conhecedor da área, coube ao biólogo a missão de nadar pelo Rio Cascalho até chegar à moradia de uma família ribeirinha, onde pediu um celular emprestado para comunicar o roubo.

“Ele me ligou para dizer o que tinha ocorrido, informou a sua localização e eu mandei um barco para resgatá-lo junto com o sueco”, disse o dono da garagem náutica da Ilha Caraguatá, que pediu para não ter o nome identificado.

Até que fosse feito o resgate, por volta das 15 horas, as vítimas permaneceram semiatoladas no mangue, debaixo de forte sol, sob intenso calor, sem água e alimentação, porque os assaltantes também haviam levado os lanches e as bebidas delas.

Reabilitação
Na mochila roubada do estrangeiro, que recentemente foi operado para a retirada de tumor nos rins, também havia medicamentos. “Um triste fim de uma viagem que seria de reabilitação e recreação para ele”, comentou a mulher do sueco, por meio de mensagem de Whatsapp ao dono da marina.

Ela também lamentou os prejuízos materiais e a perda da filmagem que Lennart já havia conseguido realizar de guarás vermelhos. No entanto, diante do desfecho ainda mais grave que o episódio poderia ter, a mulher comemorou: “Estou feliz, porque ele está vivo!”

Ave de beleza exuberante e que tem nos manguezais da costa atlântica o seu habitat, o guará vermelho é símbolo da recuperação ambiental de Cubatão, porque chegou a estar em processo de extinção na região, mas nos últimos anos teve significativo aumento de sua população.


Prejuízos ao turismo
Os ataques piratas nos canais da Baixada Santista não trazem prejuízos apenas às vítimas diretas dos roubos, mas ao turismo da região. Eles ainda realçam o contraste das belezas naturais dos rios e braços de mar com o cenário de extrema pobreza formado por palafitas em áreas que deveriam ser intocáveis.

Pescadores, biólogos, ecologistas, pesquisadores e outras pessoas que possam ter interesse em passeios ou expedições pelos canais da Baixada Santista ficam à mercê dos assaltantes que agem nas águas, onde inexiste patrulhamento aquaviário e a segurança é zero.

Durante três anos, entre 2002 e 2005, a Polícia Militar dispôs de cinco embarcações para esse tipo de patrulhamento, mas os barcos ficaram sucateados e esse policiamento especializado deixou de acontecer. Os canais se transformaram em água de ninguém.

Em 27 de dezembro de 2012, o aposentado Hitoshi Suekane, de 78 anos, veio com dois amigos de São Paulo para pescar. As águas calmas do Rio Cascalho foram as escolhidas pelos turistas, que tiveram o seu barco interceptado por outra embarcação ocupada por cerca de cinco homens.

Os marginais atiraram na direção das vítimas, sem atingi-las, e depois as agrediram, jogando-as na água. Apesar de estar com colete salva-vidas, Hitoshi se afogou. Além dos três turistas, um marinheiro incumbido de pilotar a embarcação também foi alvo do bando.

Os criminosos fugiram com os dois barcos e até hoje não foram identificados. Dias depois, a embarcação foi encontrada no Rio do Bugre, em Santos. Avaliada em R$ 30 mil na época, ela estava sem o motor de popa Yamaha de 60 HP.

Nessa mesma data, dois homens moradores em Santos foram assaltados durante passeio de jet ski no braço de mar que passa atrás do São Manoel, em Santos. Os ladrões estavam em um barco e mandaram as vítimas pular na água, fugindo com a motoaquática.

As vítimas usavam colete salva-vidas, mas tiveram dificuldades para nadar até a margem, distante cerca de 250 metros, porque o mar estava revolto. Segundo elas, o jet ski funcionava em baixa rotação, porque um saco plástico ficou preso na turbina, e os piratas se aproveitaram desse situação.

No mais recente roubo, o sueco e o biólogo registraram boletim de ocorrência ontem de manhã no 1º DP de Santos. Eles descreveram os ladrões como brancos, frisando que dois aparentam ser adolescentes.

Informações podem ser transmitidas de forma anônima ao 181, do Disque-Denúncia. Pelo local onde ocorreu o ataque, é provável que os marginais sejam da Vila dos Pescadores, comunidade mais próxima do Rio Cascalho.

Fonte: http://www.atribuna.com.br/pol%C3%ADcia/sueco-%C3%A9-alvo-de-piratas-em-cubat%C3%A3o-1.426378 (29/01/2015)

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