sábado, 21 de janeiro de 2012

Piratas corporativos em busca de tesouros afundados em Dominicana

Escrito por Camila Carduz

Santo Domingo, 10 jan (Prensa Latina) De uns 500 barcos afundados nas costas dominicanas, poderiam sair histórias de piratas com os tentáculos de empresas que usam tecnologias de última geração para recuperar tesouros desses naufrágios.

Uma reportagem publicada no meio Listín Diário cita, entre outros, a Roberto Llerena, jornalista e mergulhador salvadorenho radicado aqui há 30 anos que assegura não existir em todo o Caribe um país com tantos naufrágios da época colonial como Dominicana e Haiti.

Por outra parte, o diretor de arqueologia da empresa exploradora Deep Blue Marine, Alejandro Selmi, indica que os naufrágios começaram em 1492 e continuam até hoje.

O jornal fala de cinco empresas, legalizadas pelo governo, que têm concessões em diversas áreas.

Tesouros do Caribe (Caribe Salvagem S,A,) de Tracy Bordem; Fundação Ponta Cana, de Paul Beswick; Anchor Research and Salvage, S.R.L., de Bobby Prichert; Deep Blue Marine, de Wilf Blue; e a Universidade de Indiana, a cargo de Charles Beeper; todas localizadas em partes da costa norte, sul e leste.

Denominam-se empresas de resgate arqueológico, ainda que é difícil dizer quem se beneficia com os bens recuperados.

Os exploradores, indica Llerena, nutrem-se do Arquivo das Índias na Espanha, único lugar de documentação de todas as colônias.

Esse arquivo, localizado na cidade de Sevilla, possui uns 43 mil fichários com cerca de 80 milhões de páginas e oito mil mapas e desenhos procedentes de mercantes e tropas espanholas.

O diretor técnico do Escritório Nacional de Patrimônio Cultural Subaquático (Onpcs), Francis Soto, assegura que por mais sofisticados que sejam os equipamentos e a investigação prévia que façam, a prática indica que a maioria das peças são encontradas por nativos.

Os pescadores da área são os que mais encontram.
Os furacões fazem que o mar mude tudo, por isso às vezes saem peças à superfície e isso dá uma referência, explica Soto.

Sobre o custo de explorar e recuperar estes bens, Llerena e Selmi coincidem em afirmar que são muito altos.

Ainda que o jornal assegura que eles estimam em 50 a 60 mil dólares mensais os salários, alimentação e manutenção das embarcações, equipamentos e combustíveis, outras opiniões consultadas acham que essas cifras são, na realidade, muito superiores.

Desde 1976, quando se recobrou a Nossa Senhora de Guadalupe, se recuperaram 22 naufrágios. O mais recente foi o San Miguel em 2011.

Quanto ao destino dos bens recuperados, o diretor geral da Onpcs, Wilfredo Féliz, aponta que as empresas que funcionam legalmente no resgate de bens naufragados, devem entregar ao Estado dominicano 50 por cento dos tesouros achados, mas de qualquer jeito o Governo é quem escolhe primeiro e não tem a obrigação de dar às empresas a metade dos bens.

Féliz explica que o Governo tem a opção de lhe pagar em numerário, mas devido às dificuldades financeiras do Estado, é mais fácil pagar a essas empresas com bens recobrados.

Por essa via, o Estado dominicano encontrou-se com coleções completas de cerâmica da Dinastía Ming, que se exibe no forte Santo Domingo da Zona Colonial. O servidor público reconheceu que ainda se apresentam casos de furto e não descarta que ocorram atos de corrupção por parte dos encarregados na notificação à Onpcs sobre as peças encontradas.

Féliz desejaria que o Estado se responsabilizasse pela busca destes bens e não que entregue concessões a empresas estrangeiras, mas para isso tem que preparar pessoal especializado em mergulho e arqueologia, além de conseguir os equipamentos necessários.

Inclusive depois que são recobradas as peças, fazem falta outros produtos e equipamentos para conservar esses bens e, dentro do possível, mantê-los em seu estado original; equipamentos dos quais carece o Laboratório de Conservação da Onpcs, reconhece sua encarregada, Isabel Brito.

ocs/ef/cc

Fonte: http://www.prensa-latina.cu/index.php?option=com_content&task=view&id=466682&Itemid=1 (10/01/2012)

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