sábado, 14 de agosto de 2010

Sequestrado na Somália regressa a Argozelo

Manuel Teles fez uma visita relâmpago à terra natal para abraçar a mãe

Argozelo festejou o regresso do comandante do navio espanhol sequestrado quatro meses e meio na Somália, que na passada sexta-feira visitou a vila que o viu nascer.
Manuel Maria Teles, 56 anos, deixou cedo a terra natal, mas nunca a esqueceu e sempre que pode vem de férias para visitar a família, nomeadamente a mãe, de 90 anos, que vive no lar de idosos da localidade.

O transmontano é capitão do navio "Sakoba", de bandeira queniana, ao serviço da empresa galega, Malaca Shipping, sediada em Vigo, mas foi sequestrado por piratas somalis, quando fazia a rota de África, no regresso a Espanha depois de vários meses na pesca em alto mar.

Manuel Maria Teles enfrentou meses muito duros durante o cativeiro, ele e a restante tripulação do navio, composta por 11 pessoas, 10 de nacionalidade queniana. “Quando somos privados da liberdade é sempre duro e incómodo, mas são coisas que acontecem”, contou.

Apesar do clima de violência e das privações, o capitão não foi agredido, mas mesmo assim são situações que admite serem muito difíceis. “Estávamos sempre vigiados por pessoas armadas de metralhadoras, era um clima de ameaça constante”, recordou.
Desde os primeiros dias, sabia que estava a ser definido um resgate, mas desconhecia a duração e o desenrolar das negociações. “Havia confusões. Eles queriam fazer as coisas à sua maneira, nós não queríamos deixar, mas como estávamos debaixo da pressão de armas tínhamos que ceder”, explicou.

No dia 19 de Junho, Manuel Teles soube que iam ser libertado

A história foi dramática, mas teve um final feliz. No dia 19 de Junho Manuel Teles soube que iam ser libertado, mas o cativeiro manteve-se por mais um mês, até 19 de Julho. Durante esse tempo o capitão de Argozelo e a sua tripulação produziram litros de água doce na embarcação que estava preparada para isso. “Fazíamos a água para nós, para o outro navio sequestrado e para os próprios piratas. O prolongamento do nosso cativeiro também lhes era útil”, referiu.

Emigrante em Espanha há mais de 20 anos, mal pisou terras de ibéricas - mais concretamente Vigo, onde reside com os dois filhos - pensou logo em matar saudades da terra natal.

Na sexta-feira fez uma visita relâmpago a Argozelo, para abraçar a mãe e agradecer aos conterrâneos todo o apoio, pois souberam manter o sequestro em segredo. “Tenho de agradecer à gente da minha terra, que resguardou a minha mãe. Temiam que o choque prejudicasse a sua saúde”, contou.

G.L.

Fonte: www.jornalnordeste.com/ (10/08/2010)

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