segunda-feira, 11 de julho de 2011

Tripulantes resgatados dizem-se injustiçados

Chimoio, Moçambique - Doze tripulantes do navio "vega 5", operado pela Pescamar, que estiveram quase três meses sequestrados por piratas somalis, consideram-se "injustiçados" pela empresa, que celebra contratos precários, e não paga indemnizações, disse hoje (sexta-feira) à Lusa um dos marinheiros.

O porta-voz do grupo, José João Mandava, disse que a Pescamar contratou os tripulantes por três meses, até ao fim da faina, em Outubro, abrindo espaço para o seu posterior despedimento, já que a renovação do contrato depende da empresa.

"A empresa havia garantido a efetivação, mas numa reunião (ontem) com a direcção da Pescamar fomos informados que seríamos remetidos a gerência (a espanhola Pescanova, accionista da Pescamar), o que nos coloca numa situação de aflição", disse José Mandava.

Segundo a fonte, dos 12 moçambicanos sobreviventes, apenas um tem contrato efectivo, estando os restantes como eventuais.

Os tripulantes chegaram a ameaçar não regressar ao mar, exigindo como condição uma embarcação de guerra e um helicóptero por questões de segurança, mas a clivagem ficou ultrapassada com a contratação de uma empresa de segurança espanhola, referiu a fonte.

"A empresa está a considerar o sequestro como acidente de trabalho, mas isto vai além, pois ainda temos traumas psicológicos do que passámos no mar. Já vão mais de 100 dias depois do resgate e nada sabemos ainda sobre a indemnização", disse Mandava.

A Lusa tentou contactar o director-geral da Pescamar, Felisberto Manuel, mas sem sucesso.

Os 12 tripulantes moçambicanos, sobreviventes do "Vega 5", regressaram em Março à cidade da Beira, Sofala, centro de Moçambique, depois de vários dias a serem ouvidos pela justiça indiana, para testemunharem contra os piratas somalis.

Fonte: http://www.portalangop.co.ao/motix/pt_pt/noticias/africa/2011/6/27/Tripulantes-resgatados-dizem-injusticados,183cbbac-ead7-42ac-8977-809f366a55f9.html (08/07/2011)

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