terça-feira, 1 de junho de 2010

Livros

Wilson, Peter Lamborn. Utopias piratas: mouros, hereges e renegados, Editora Conrad, São Paulo, 2001.

Na primeira metade do século XVII, em plena Costa da Barbária, no Marrocos, norte da África, a república pirata de Rabat-Salé forjou um sistema político e social estranho ao seu tempo. Próxima de portos corsários mais conhecidos, como Túnis, Trípoli e Argel, essa comunidade ensaiou, por cerca de 50 anos, uma forma de convivência oportunista, sensual, e bastante funcional.

Uma comunidade que seria descrita em relatos europeus como "domicílio de vilões, antro de ladrões, lar de piratas, ponto de encontro de renegados, matadouro de crueldade bárbara e barbárie selvagem, perdição e vergonha para frotas mercantes e mercadorias, e uma miserável masmorra sombria para cativos cristãos" - ou "democracia por assassinato".

A isso tudo, os estudos de Peter Lamborn Wilson indicam que talvez poderia ser acrescentado, em termos mais atuais, point gay e de maconheiros, além de refúgio para místicos sufis, "irresistíveis" mouras, rebeldes irlandeses, judeus hereges, náufragos, escravos fugitivos e espiões britânicos.

Enquanto os corsários muçulmanos devastavam as frotas européias e faziam milhares de escravos, do século XVI ao XIX, outros milhares de europeus também se convertiam voluntariamente ao Islã, e se juntavam ao surpreendente modo de vida pirata.

Teria sido essa utopia um acidente histórico, ou a própria semente da democracia, precursora do ímpeto insurrecional que, a partir de 1640, emergiu na Inglaterra, e depois na América e na França? Ou o elo perdido entre a república, tal como foi vislumbrada pelos gregos, e a moderna democracia?

O que os marinheiros, o proletariado do século XVII, teriam invejado e aprendido com a liberdade dos corsários e renegados? São essas e outras as questões fascinantes que Wilson aborda em Utopias Piratas.

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