segunda-feira, 28 de junho de 2010

Pirataria marítima gera 100 milhões de dólares anuais

A ONU calcula que a pirataria marítima não gera atualmente mais de 100 milhões de dólares anuais, mas adverte que este tipo de crime tende a aumentar e a reforçar as ligações com milícias e movimentos de guerrilha.

A Agência das Nações Unidas contra a Droga e o Crime (ONUDD) refere, num relatório hoje divulgado, que o número de ataques de pirataria no Corno de África duplicou em 2009 para 217 incidentes. Em 2008, a ONU registou 111 ataques.

“Em termos relativos, a pirataria gera fortunas, mas em termos absolutos gera cerca de 100 milhões de dólares anuais”, dos quais só uma quarta parte vai para os piratas e o resto é encaminhado para o crime organizado, de acordo com as estimativas da ONU.

Ao contrário de outros delitos relacionados com o crime organizado, a pirataria marítima, na origem, “não é um problema de tráfico”, porque não efetua trocas ilícitas para satisfazer as exigências de mercados paralelos.

“Mas é um crime violento que se apropria de bens através da intensa circulação internacional de barcos comerciais”, assinala a ONUDD, no relatório intitulado “A Globalização do Crime: uma avaliação da ameaça do crime organizado transfronteiriço”.

O documento sublinha que na pirataria moderna os barcos dos países mais ricos são atacados por piratas de regiões pobres, apesar da vigilância das poderosas forças navais internacionais.

A ONUDD distingue dois tipos clássicos de pirataria: num o objetivo é roubar o navio e a respetiva carga, enquanto existem outros casos em que a meta é o sequestro da tripulação da embarcação e exigir um resgate monetário.

Mas a actividade dos piratas da Somália, cada vez mais frequente, “é a única que quase sempre incluiu o crime de sequestro para conseguir o dinheiro de regaste”, afirmaram os peritos das Nações Unidas.

No passado, indica o relatório, a pirataria ao largo da costa da Somália estava ligada aos esforços dos pescadores locais para formar grupos de vigilância e de proteção destas águas territoriais, mas hoje estes objetivos políticos parecem ser completamente secundários.

“Enquanto persiste a retórica, o verdadeiro objetivo destes ataques é o enriquecimento dos piratas”, que se afastam cada vez mais das costas somalis e atacam cargueiros, cruzeiros e outras embarcações que não têm qualquer ligação com a Somália”, destaca o mesmo relatório.

Os ataques incluem, nomeadamente, navios que transportam ajuda alimentar para o país, acrescenta. Apesar da maioria dos ataques de pirataria serem conduzidos por um pequeno número de grupos, o documento da ONU observa que alguns já têm “algumas ligações" com milícias ou movimentos de guerrilha.

As Nações Unidas alertam que esta situação “pode mudar de forma muito rápida” e aumentar a ameaça destes ataques.

Diário Digital / Lusa

Fonte: http://diariodigital.sapo.pt/ (17/06/2010)

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