segunda-feira, 28 de março de 2011

A Rússia Vai Criar Uma Esquadra "Antipirata"

Na Rússia está sendo criada uma unidade naval especial, destinada a combater a pirataria. O Comando da Zona Afastada de Defesa da Navegação no Oceano Indico vai surgir em 2013. O Estado-maior General da marinha de guerra informa que a nova unidade será constituída basicamente por navios da frota russa do mar Negro.

"Almirante Vinogradov". foto: RIA Novosti

Hoje em dia a pirataria é um buzines internacional bem organizado, - afirmam os peritos. Este ponto de vista é confirmado pelo fato de que os bandidos recebem informações exatas sobre o trajeto do navio e rastreiam-no, o que seria impossível sem sistemas, baseados em satélites, sem a tecnologia mais moderna e respectivos hábitos. A companhia “Sovkomflot” reputa que o problema de pirataria é muito subestimado. De acordo com os dados deste armador russo, a atividade de bandidos no golfo de Aden e na região do Corno Africano causa anualmente um prejuízo de 12 bilhões de dólares à economia mundial. Somente durante os dois primeiros meses de 2011 junto do litoral somali houve 87 ataques, treze navios foram seqüestrados. Durante este lapso de tempo mais de 200 pessoas foram presas por piratas. Ao todo mais de 700 tripulantes dos navios estão aguardando o resgate.

Agora, por encargo do presidente da Federação Russa Dmitri Medvedev os navios de todas as quatro esquadras da marinha de guerra russa defendem, revezando-se, os barcos russos e estrangeiros que passam pelo golfo de Aden. Estas belonaves patrulham durante um certo tempo as águas perigosas, a seguir retornam a suas bases. No presente momento ali está uma unidade de navios de guerra da esquadra russa do Pacifico, liderada pela fragata “Almirante Vinogradov”.

O protótipo da nova estrutura serão a Quinta Esquadra do Mediterrâneo e a Oitava Esquadra Operativa do oceano Indico que existiam na época da União Soviética. Isto é, os navios de guerra russos estarão nesta região em regime permanente. Já foi escolhida a base para eles, - o porto sírio de Tartus, que servia na época soviética na qualidade de ponto de apoio da esquadra russa do Mediterrâneo, e encetadas as respectivas conversações com as autoridades da Síria. De acordo com os planos, a nova esquadra deve incluir três fragatas, um navio de abastecimento de combustível e um rebocador-salvádego do mar.

O raio de ação dos piratas modernos vem crescendo permanentemente. E é pouco provável que um só Estado consiga garantir o controle sobre um aquatório tão vasto. Todavia, a decisão, tomada em Moscou, é um importante passo na luta contra a pirataria, - afirma Vassili Gutsuliak, perito em direito naval do Instituto do Estado e do Direito junto da Academia de Ciências da Rússia.

Os piratas também não estão “estagnados”, a sua tática muda. As regiões do oceano mundial, que devem ser controlados a fim de impedir os ataques de piratas, são enormes e está claro que mesmo toda a marinha de guerra de uma só potência dificilmente poderá exercer este controle. Na minha opinião, a decisão da marinha de guerra russa é um passo no sentido correto. Mas, certamente, é preciso esforços consolidados de todos os Estados marítimos. Certamente, o instrumento mais eficiente poderia ser uma coalizão de forças navais.

Na opinião da peritos, as tarefas do novo grupo naval russo ultrapassam os limites de defesa da navegação mercante. A Rússia pretende, além de todo o mais, estabelecer a sua presença naval nesta região perigosa. Agora os Estados do Próximo Oriente e do Norte da África estão abalados por uma série de revoluções. Por enquanto, ninguém sabe, qual será o resultado dos ataques da aviação da NATO contra a Líbia – é bem possível que os habitantes deste país não tenham outra saída, senão incorporar-se nas fileiras de flibusteiros. A exibição da bandeira russa num local em que se realiza a repartição das esferas de influência pode “arrefecer” algumas cabeças demasiado quentes.

Fonte: http://portuguese.ruvr.ru/2011/03/24/47919610.html (24/03/2011)

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